æTudo sobre SkateBob Burnquist fala sobre 900º

Bob Burnquist escolheu escrever sua história de “base trocada”, em 1995, Bob chocou o mundo do skate com seu estilo que levava manobras de street para o vert. Bob dominou as competições do vert, confundiu a cabeça dos fãs e juízes com sequências de manobras de borda e manobras sem segurar no skate. Mas isto era só o começo de uma longa carreira pautada em inovação. Nas competições, muito mais do que vencer seus oponentes, Bob lutava para vencer a si próprio.

No último dia 4 de setembro Bob rompeu mais uma das barreiras do skate se tornando o primeiro skatista a fazer um 900° no quarter de uma Mega Rampa, mas como sempre Bob escolheu fazer do seu jeito: Indy 900 vindo de fakie e voltando de fakie.
Leia abaixo as palavras de Bob e entenda a história do seu 900° e seus planos para o futuro.

Me conte como foi o 900 na Mega?
Minha missão era completá-lo naquela semana, que queria acertá-lo antes do final do verão, então tudo deu certo. O 900 em si eu já queria ter acertado desde que eu vi Tony [Hawk] fazê-lo. Eu nunca me vi como um skatista de manobras de giros no vertical; eu estava mais no lado técnico da coisa.

E aí eu comecei a andar na Mega Rampa e a voar cada vez mais alto e mais preocupado com meus giros. A partir disso, comecei a tentar aqui e ali. Eu acho que comecei a girar em 2004 ou 2003 na piscina de espumas, em Woodward. Eu me lembro de tentar com o Sandro [Dias].

Eu falei, ‘Cara, você deve tentar isso. A piscina está ali’. Então ele começou a tentar. Nós estávamos todos tentando e logo depois daquilo, Sandro completou o 900 perfeitamente no vert. Eu meio que me decidi a não perseguir essa manobra.
Eu normalmente olho para o que está todo mundo fazendo e quero fazer algo completamente diferente. Então, desde que outras pessoas começaram a voltar a manobra, eu desencanei dela. Mas eu continuei tentando aqui e ali porque eu ainda a queria para mim.

Eu comecei a andar muito na Mega e me dei conta de quanto tempo eu ficava no ar e pensei, ‘Cara, isso é possível’. Então eu comecei a girar que nem um louco. Aprendi os 540, os 720 e Indy 360 e os 720 fakie. E aí finalmente eu aprendi o Indy Cab 720 fakie. Eu demorei um tempão para acertar a velocidade. Vindo pelo manual pad era muito devagar, pulando o gap era muito rápido para ir de fakie e jogar a manobra no quarter. Aí eu achei o meio termo, que era vindo pelo corrimão; essa foi a velocidade perfeita.

Assim que eu vi isso, comecei a jogar o 720 direto. Eu acho que essa foi a chave para Tony completar o seu 900. Ele fazia os 720 sem parar. Então quando eu tive meu 720 no pé, eu sabia que eu estava no lugar onde precisava estar. Comecei a tentar sem parar o 900° com o objetivo de filmar e usar na minha parte do Flip Vídeo “Extremely Sorry”. Eu tentei muito, voltava de viagens e campeonatos e não parava de tentar.

Estava tentado que nem um louco completar a manobra do jeito normal, o Indy backside 900, e não estava funcionando. Me deixou um pouco deprimido. Eu continuei pensando: ‘Eu já dei o 720, eu consigo girar o 900, mas não consigo voltá-lo. Qual é o meu problema?’.
E aí eu me dei conta de que talvez eu estava preso em tentar manobra toda hora do mesmo jeito. Então comecei a tentar de frontside e isso abriu uma porta. Eu acordei um dia decidido a me empenhar uma semana a voltar essa manobra. Todos os dias eu iria fazer minha musculação diária e só jogar o 900 de todas as maneiras possíveis até achar uma que fosse boa para mim.

Eu estava desiludido de acertar o backside Indy 900, então eu parei de tentá-lo. Cheguei muito perto de conseguir de frontside, mas me machuquei muitas vezes.
Me restava tentar o Cab 900. Eu estava tentando um dia e cheguei muito perto. Senti que iria conseguir, mas já estava ficando escuro e eu só tinha uma pessoa filmando por um único ângulo. Como estava muito perto de conseguir, eu agilizei tudo e chamei um pessoal para a sessão do dia seguinte. Eu acordei aquele dia sabendo que aquele era “o dia”. Não tinha outro dia. Quando eu fosse dormir eu tinha que ter completado o 900.

Você aterrissou tão perfeitamente. Sinceramente, pelas imagens, parecia que você já havia conseguido antes.
Esse foi o lance, eu mal gastei energia. De fakie to fakie consegui controlar o giro melhor. Eu sabia que se eu girasse muito eu iria cair de joelhos e não de costas.
Então isso funcionou, e eu consegui sem muito esforço. Eu simplesmente não pude acreditar.

Tinha mais alguém na sessão neste dia?
Eu chamei algumas pessoas para filmar por vários ângulos. Eu nem sei o que estava acontecendo ao meu redor, a única coisa que eu estava preocupado e em voltar a manobra.

Tinham alguns brasileiros na cidade. Eu falei para ele: “Aí galera, amanhã o carrinho de golf não vai parar. Eu não vou esperar,” porque normalmente eu espero a galera descer com o carrinho de golfe na base para levar a galera lá para cima. Só deixei todo mundo ciente de que a prioridade era minha.

Alguém já tentou o 900 na Mega além de você? Alguém chegou perto?
Eu acho que o Danny [Way] tentou para gravar a parte dele no vídeo da DC. Ele me falou que era assustador, mas que sentiu que a Mega era para isso. Jake [Brown] também tentou há alguns verões atrás; no final de suas voltas ele tentava girar e era impressionante.

“Então isso funcionou, e eu consegui sem muito esforço. Eu simplesmente não pude acreditar.”

Tendo voltado uma vez, você acha que voe pode ganhar consistência em acertar o 900?
Sabe de uma coisa? Eu poderia. Mas teriam que ser as mesmas condições. Com o formato dos X Games e partindo do 70 pés, essa é toda uma outra realidade.

Mas talvez eu poderia conseguir outro tipo de 900, com uma outra pegada, como o backside 900 que parece ser mais consistente. Se for uma prova de Best Trick ou de Jam, que eu possa partir do 70 ou do 50 pés, eu provavelmente conseguiria. Realmente depende do tamanho do quarterpipe.. tudo depende.

Qual é a diferença da sua Mega Rampa e da Mega que vimos nos X Games?
É a mesma coisa. A única diferença é o ângulo do roll-in que na verdade não importa muito uma vez que você chega no gap. Quando chega na rampa mesmo, todas as características são as mesma. A dos X Games talvez seja um pouco mais rápida porque é novinha, mas elas são basicamente iguais porque os ângulos são os mesmos.

Então eu s[ó tenho que encontrar a melhor maneira de mandar a manobra se for em uma situação de campeonato. O fakie to fakie 900 é uma manobra que não é para competições. Estou trabalhando em outras manobras e filmando-as para partes de vídeos. Se isso acontecer aí posso fazê-las em campeonatos.
Quando você está trabalhando em uma manobra com a dificuldade do 900 você tenta outras manobras em uma sessão ou se concentra em uma exclusiva?

Em uma sessão normal eu tento todos os tipos de manobras, mas quando estou com um prazo para filmagem de algo específico, eu não fico tentando aprender coisas diferentes, eu sei que tenho que fazer algo extraordinário; esse é o começo de todo o processo. Aí eu começo a tentar algo que eu nunca vi, ou tentar adaptar alguma coisa. Tento uma ou duas vezes, mas não gosto de ficar preso em uma única manobra, então mando outra coisa depois de algumas tentativas.

Com o 900 na mala, tem alguma outra manobra que você esta tentando desvendar?
Antes de voltar essa manobra eu filmei algumas outras coisas que estou esperando lançar no próximo projeto. Talvez agora eu irei perder um tempo sobre o manual pad e trabalhar alguns manuais e treinar mais no rail. Sei lá, é porque está tudo isso aqui no quintal da minha casa, então posso fazer o que eu quiser.

Andar na Mega Rampa te ajuda a desenvolver as outras modalidades de skate, ou está tudo muito distante?
Ah, com certeza! Eu sou um skatista muito melhor agora, do que eu era antes da Megarrampa. Quero dizer, eu me tornei mais rápido. Fico muito mais relaxado em situações que eu ficaria nervoso. Eu ando bem melhor nos skates parks porque estou acostumado com velocidade e peso.

Quando eu ando no vertical agora parece que eu estou andando em uma minirrampa. Na Mega é tudo mais rápido, tudo machuca. No ar tudo é leve e paradisíaco, mas a realidade te cobra caro quando você cai. Eu ando muito relaxado na Mega, porque a velocidade está lá e você tem tempo no ar. Quando vou andar na rua, no park e até no vert demoro mais de meia hora para me adaptar porque os reflexos têm que ser mais rápidos e de certa forma você tem que ser mais ágil. É tudo diferente, mas é tudo skate.

Qual é a modalidade que te motiva mais?
Hoje em dia é a Mega. A sensação de mandar um 900 ou um 540 a 20 pés de altura é algo que você não pode conseguir em nenhum outro lugar.

Mas eu estou sempre andando no meu vertical e em bowls ou parks. É por isso que eu vou para o ProTec Pool Party todos os anos. A sensação de dar carvings e grindings no coping você também não consegue em nenhum outro lugar.

Quais são os skatistas que você admira no momento?
Eu amo ver Bucky fazer o role dele. Ele sempre foi um dos meus favoritos com sua fluidez. E também fiquei psico assistindo a parte de Guy Mariano no Lakai vídeo, essa é uma das minhas partes favoritas.
E aí, gosto dos meus parceiros de equipe Luan Oliveira e Rodrigo TX andando de street. Até mesmo [Geoff] Rowley, adoro seu estilo.

Mas falando na Mega, eu diria que assim que você me fala em alguém que eu admiro, tenho que falar em Danny [Way] por todas as coisas que ele já fez.
Dos caras novos Alex Perelson e Pedro Barros. Pedro é muito novo mas a maneira que ele ataca é impressionante. E o Alex eu acho que é o cara fazendo algo diferente e novo. O jeito dele andar me lembra quando eu comecei a aparecer. Ele não é muito bom de estratégia de campeonato, mas ele é um excelente skatista.

Nesse ponto que você conquistou esta manobra e a janela de campeonatos está chegando ao fim, o que você tem nas mãos agora?
É tem sido tudo muito corrido. Mas é ótimo em anos como esse, com a economia do jeito que está, você conseguir andar de skate para viver é maravilhoso.
Mas com tantos campeonatos, um depois do outro, você tem que focar no seu corpo. Este anos, mais do que nunca, eu tentei me focar no que eu estava fazendo quando não estava andando de skate. Eu tenho asma então tenho que constantemente trabalhar o meu preparo.

Mas eu vou continuar fazendo o que sempre fiz e deixar o meu corpo sempre preparado para poder andar de skate enquanto der. Eu só quero continuar filmando, correndo campeonatos e criando. Ainda tenho uma grande idéia para este ano, tomara que dê certo. Mas se não der, eu vou mantê-la para o ano que vem. Eu não consigo ficar parado, nunca consegui.

(fonte:ESPN)