æTudo sobre SkateVida Sobre Rodas – Entrevista com Cristiano Mateus

Cristiano Mateus é um dos quatro protagonistas do filme Vida Sobre Rodas, que estreia no dia 26 de novembro em circuito nacional. Confira entrevista do skatista falando sobre a produção.
Como foi o início da sua carreira?
Quando se faz o que gosta, você nem percebe que está fazendo carreira, simplesmente acontece.

Quais as dificuldades enfrentadas por um brasileiro skatista no país e fora?
As dificuldades no Brasil eram muitas, pistas inadequadas para a prática, escassez de patrocinadores e marginalização. Ainda hoje é difícil ser skatista no país. Às vezes é preciso fazer mágica. Se colocarmos no papel, dos 200 skatistas profissionais, apenas 10 possuem bons patrocínios. Mas é gratificante quando se compete no exterior. Você sente a vibração da galera por nós brasileiros.

A pista da Ultra teve uma importância fundamental na história do Skate no país, ajudando na “popularização” do esporte e até mudando o jeito de se praticar? Você achava que ela teria toda essa visibilidade?
Com certeza não. Naquela época só pensava em praticar skate e aprender cada vez mais. Era uma competição diária com a galera que freqüentava a Ultra, ninguém queria ficar para trás. Acho que isso ajudou muito a evoluir o esporte. Mas a pista não era só skate, foi lá que criei todo meu círculo de amizade. Tenho contato com essa galera até hoje.

O que você achou da idéia de fazer um documentário sobre skate que tem como cenário o Brasil?
Lembro quando o Baccaro me ligou pedindo meu acervo e contando sobre a idéia de fazer um documentário. Fazia um tempo que não nos falávamos, mas de cara adorei a idéia. Logo depois, ele falou com o Lincoln, Sandro e Bob. Pensei, vai ser irado! Quando assisti ao primeiro trailer, chorei. Será genial que as pessoas conheçam essa história e vejam as dificuldades que passamos para chegar até aqui.


Uma parte considerável das imagens do “Vida Sobre Rodas” é do arquivo do seu pai, que o acompanhava e registrava todos os seus passos. Será que ele já imaginava que você alcançaria esse sucesso?

Acredito que não imaginava. Ele construiu a Ultra, e de lá saíram vários skatistas, como por exemplo, o Bob. E as filmagens feitas naquela época ajudaram muito na nossa evolução.

Hoje você é ídolo do segundo esporte mais praticado no Brasil e que nos anos 80 era marginalizado, além de ser referência para essa nova geração de skatistas. Como encara isso? Achava que chegaria tão longe com o skate?
Tudo isso foi fruto do nosso trabalho, conseguimos mudar a imagem da marginalização do esporte. Revistas, vídeos e a televisão ajudaram bastante, além dos próprios atletas que começaram a se profissionalizar. Quando comecei a praticar skate, andava porque gostava. Nunca passou pela minha cabeça ser profissional, simplesmente aconteceu.

Quem eram seus ídolos?
Meus atletas favoritos eram Tony Hawk, Thronn, Mureta, Hosoi, Neguinho da Anarquia e outros da época.

Você acha que de alguma forma ajudou a mudar o jeito de se andar de skate no mundo? Por quê?

Todo mundo contribui a sua maneira sendo profissional ou não. As manobras são criadas diariamente e cada um tem um jeito de se expressar em cima do skate. Acredito que ajudei na evolução com vídeos, como Silly Society, e pistas que foram fundamentais, tudo de maneira simples e despretensiosa.

Como está a sua carreira atualmente? E os planos para o futuro?
Continuo andando de skate, treinando na Mega Rampa, uma modalidade nova. Meus planos agora são colocar a loja virtual da Ultra Skate no ar e em seguida construir uma nova pista.

(fonte:ESPN)