æTudo sobre UFCCigano vs Velasquez

Será que o brasileiro Júnior dos Santos, o Cigano vai parar Cain Velásquez?
Cigano terá o direito de enfrentar Cain Velásquez em 2011 pelo título dos pesos pesados do UFC.

Abaixo uma entrevista onde ele fala do tão esperado confronto.

Como você avalia o ano de 2010 na sua carreira?

Graças a Deus para mim foi um ano muito feliz. Consegui chegar agora para disputar o cinturão, só teremos de esperar o tempo do campeão, que é o Velásquez. Vamos esperar que ele volte aos treinos para marcarmos nossa luta. Esse ano foi 100 % excelente e correu tudo bem.

Essa luta não acontecerá nesse ano, mas você já entra no próximo ano pensando nele? Você já está totalmente focado no Velásquez?

Eu já estou focado nele faz algum tempo. Posso dizer que desde a luta dele com o Lesnar e até um pouco antes, pois eu já achava que ele tinha grandes chances de ganhar do Lesnar. Por isso eu já vinha prestando atenção nele e isso já faz algum tempo. Agora ainda mais. Com certeza eu passarei o ano novo já pensando nele. Como já estou, eu continuarei pensando nele. Também em como será minha luta e minha estratégia. Agora esse é o principal objetivo da minha vida, que é ser campeão do UFC e trazer esse cinturão aqui para o Brasil.

Como você se vê em tão pouco tempo de carreira já sendo o desafiante na principal categoria do maior evento do mundo?

Com certeza a dedicação faz com que nós conquistemos coisas importantes e isso foi uma coisa muito importante em minha vida. Faz somente cinco anos que eu comecei a treinar e isso é muito pouco tempo para estar onde eu estou. O pessoal que já treinou e que é do mundo das lutas sabe disso. É muito pouco tempo para estar onde eu estou, mas eu acho que nós não vamos sozinhos para lugar nenhum. Eu tive pessoas ao meu lado muito importantes, como o Yuri Carlton no jiu-jitsu, os irmãos Nogueira e o professor Luiz Dórea. Eu acho que essas foram as principais pessoas e, é claro, a minha esposa. Sem ela nada disso teria acontecido e ela foi o alicerce de tudo isso. Foram essas as pessoas responsáveis por estar acontecendo tudo isso na minha vida. Eu acho que, além disso, também existiu minha força de vontade, pois quando eu resolvia me dedicar a alguma coisa, eu realmente me dedicava e queria ser o melhor naquilo que eu fazia. Isso se encaixou perfeitamente na luta e eu me dediquei muito. Até hoje minha cabeça está focada em ser um grande lutador e eu quero continuar sendo esse lutador. Eu acho que o importante é a dedicação e a confiança em Deus sempre. Isso nos leva a lugares que nós nunca poderíamos ter imaginado.

Como você imagina esta luta? Você acha que vai ser o Velásquez tentando te derrubar o tempo todo ou ele aceitará a trocação com você?

Eu acho que sim. Eu acho que ele vai tentar colocar a pressão dele e também trocar um pouco. Ele é bom de wrestling, mas ele também tem uma trocação boa. Ele vai querer trocar até para pegar o meu tempo. Ele vai trocar no início com intuito de prever as entradas de queda. É vindo da trocação que você consegue fazer uma queda mais eficiente. Eu acho que ele vai buscar a vitória por aí e quando perceber que não vai dar para ele na trocação e começar a sentir as mãos, ele vai querer colocar para baixo. Nós estamos esperando que ele faça tentativas de queda e ele é excelente nisso. A luta com certeza pode ir para o chão e eu ir para baixo. Se for assim, eu poderei mostrar o meu jiu-jitsu que o pessoal tanto fala. Caso eu cai por baixo e ele tente me manter no chão, eu terei de utilizar meu jiu-jitsu. Assim poderei mostrar ao público, os fãs e as pessoas que gostam de MMA, que nós estamos bem nessa área. Como eu disse uma vez, eu não sou o melhor em nada, mas procuro ser bom em tudo. Eu estou treinando muito jiu-jitsu e tenho certeza de que posso surpreender qualquer um no chão.

Você consegue treinar bem o wrestling no Brasil ou só quando você vai para os Estados Unidos?

Aqui no Brasil nós treinamos também, mas não é a parte principal. Eu desenvolvo mesmo o wrestling lá fora. Eu consegui ter hoje uma boa defesa de queda treinando lá fora com o Phil Davis. Além dele, com o também lutador do UFC, Mark Munoz. Esses são os caras que me dão uma força sempre. Eu passo um período na Alliance lá com o Brandon Vera e eles treinam muito wrestling, já que eles vêm dessa área. Eu acho que eu desenvolvi uma boa defesa de queda, então também tenho isso a meu favor. É claro que o Cain é muito bom de wrestling e já foi campeão da modalidade diversas vezes, mas comigo será diferente. Eu quero que essa minha defesa de queda funcione no UFC.

Vai ser a primeira vez que você luta cinco rounds e ainda mais contra um cara que é conhecido por ter muito gás. Como você se prepara para essa parte?

Será a primeira vez que eu vou lutar cinco rounds em uma luta oficial. Isso porque na academia é normal nós fazermos muitos rounds. Até mesmo para as lutas normais de três rounds eu faço sparring de cinco rounds. Agora eu até vou aumentar o tempo do sparring. Eu sou um lutador e estou pronto. Eu gosto e amo o que eu faço. Estou pronto para elevar o meu nível ao ponto de estar lutando cinco rounds e de ser o campeão do UFC. Eu acho que eu e minha equipe juntos temos condições disso. Eu acho que estarei bem preparado no dia. Também iremos pensar em uma estratégia boa para enfrentar o Velásquez. Se eu conseguir seguir minha estratégia como ela for traçada, eu posso vir a me dar bem. Espero que eu consiga seguir essa estratégia e lutar os cinco rounds bem.

Como você está planejando os treinos para luta? Você fica no Brasil ou vai para os Estados Unidos? Você pretende ir a algum lugar para dar ênfase a uma parte específica do seu jogo?

Eu estou aqui na Bahia, mas passei um tempo treinando nos Estados Unidos recentemente. Assim que eu souber da data da luta, eu devo estar me preparando para voltar para os Estados Unidos e treinar na academia do Rodrigo Nogueira. Lá eu vou poder ter ajuda de lutadores oriundos do wrestling e que possam fazer um jogo mais ou menos parecido com o do Velásquez. Para mim eu acho que é uma coisa importante no momento treinar com os wrestlers. É isso que eu pretendo fazer. Primeiramente eu tenho de saber a data da luta e depois voltar para os Estados Unidos. Por enquanto eu estou aqui e estou vendo se vou para o Rio ou São Paulo para treinar um pouco de jiu-jitsu também. Ainda está meio indefinido e não tenho muita certeza das coisas. Apesar disso, os treinos não param nunca.

Fale um pouco da sua relação com os irmãos Nogueira. Eles te colocaram no mundo das lutas e hoje você está aí representando bem o time. Como é isso?

Com certeza o Minotauro e o Minotouro são pessoas muito importantes na minha carreira. Eles me ajudaram muito junto com o professor Luiz Dórea e o Yuri Carlton, que me descobriu. Foram eles que me incentivaram a começar com tudo isso. Os irmãos Nogueira são para mim, além de ídolos, grandes pessoas. Eles me ensinaram a ter aquela determinação de campeão. Eu aprendi com eles a ser um grande campeão, pois eles são grandes campeões. Eu aprendi como um campeão de jiu-jitsu se comporta, treinando sempre e se alimentando bem. Essa coisa de procurar dar sempre o seu melhor nos treinos e elevar o nível sempre ao máximo que você puder. Os ensinamentos que eles me deram servem para mim até hoje. Tanto os ensinamentos quanto a experiência de poder estar treinando com eles. Quando eu fui chamado para lutar no UFC, eu estreei contra um grande lutador que é o Fabricio Werdum. Eu tinha muita pouca experiência no mundo das lutas, mas nós fizemos treinamentos muito bons no Rio com os irmãos Nogueira e eles foram as cabeças desse treinamento. Eles fizeram todo o treinamento comigo e os sparings. Lá no treinamento eu estava fazendo sparring com eles e quando batia o round, eles revezavam, um round com o Rogério e outro com o Rodrigo. Eu via que eu estava empatando com os caras nos rounds, então eu teria condições de vencer o Werdum. Aquilo me deu uma confiança muito grande, e eu acho que nesse ponto que me sobressaí. Eles me mostraram os meios de acreditar que eu poderia ser um campeão. Eu sou muito grato e feliz por poder estar falando isso hoje. Eles me ajudaram a fazer minha carreira e estão até hoje juntos comigo.

(fonte: ESPN)